Estudos preliminares sobre estabilização/solidificação - e/s - de lodo de tratamento de lavanderia têxtil para reutilização como argamassa de construção: exame de caso para Maringá, Estado do Paraná

Carmen Lúcia da Rocha Pietrobon, Michely Patrícia de Bitencourt, Marcelino Luís Gimenes, Rosângela Bergamasco, Jansen Colanzi, Claudio Emanuel Pietrobom

Resumo


As lavanderias e tinturarias industriais geram efluentes líquidos que, após tratamento por decantação da matéria em suspensão, produzem lodo. Esse resíduo tem composição química variada em virtude dos produtos usados no processo. Tal resíduo é considerado inadequado para a disposição, in natura, no meio ambiente, devendo ter como destinação final um aterro industrial. No caso em exame, não se dispõe desse tipo de aterro, e os resíduos são transportados por via rodoviária até cerca de 400km de distância, causando um forte impacto financeiro na produção de um emergente mercado local de indústria têxtil e de confecção. Este trabalho apresenta a caracterização físico-química do lodo proveniente de uma lavanderia industrial, para o estudo de sua disposição final, em processo de E/S, em pasta de cimento e em argamassa de cimento e areia normal. A adição de cimento portland - CPI 32 ou CP II Z - visa ao seu reaproveitamento em materiais de construção civil e objetiva minimizar os custos de disposição final deste resíduo. Nesta caracterização, analisaram-se: sedimentação, DQO, sólidos totais, fixos e voláteis no lodo, densidade, pH, e a presença de metais, sendo detectada a presença dos metais Fe, Mg, Al, Sn, Ca, Cr, Co, Cu, Mn e Zn. Corpos de prova de pasta e argamassa foram submetidos à análise de resistência à compressão e também testes de lixiviação na argamassa. Os resultados demonstraram que na pasta de cimento e lodo os valores de resistência mecânica, aos 28 dias, atingem valores maiores que 10 MPa. E, as argamassas com adição de teores de lodo menores que 25% em relação à massa de cimento, possuem valores de resistência mecânica maiores que 10 Mpa, aos 28 dias, o que permite sua utilização como material de construção civil secundário, sem função estrutural. Também de maneira geral, a lixiviação ocorrida nos corpos de prova de argamassa sem lodo incorporado foi da mesma ordem de grandeza daquela encontrada nos corpos de prova contendo lodo. Isso leva à conclusão de que a argamassa permite uma incorporação segura dos metais detectados no lodo de lavanderia. Estudos posteriores serão necessários para avaliar a influência de matéria orgânica na durabilidade do compósito.

Palavras-chave


efluentes líquidos; lodo têxtil; E/S; reutilização; argamassas de construção

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/actascitechnol.v24i0.2494





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