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VISÕES EPISTEMOLÓGICAS PRESENTES EM ARTIGOS SOBRE O TDAH E IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO: REVISÃO INTEGRATIVA

Adriana Zilly, Amós de Souza Silva, Rosane Meire Munhak da Silva, Reinaldo Antonio Silva Sobrinho, Paulo Cesar Mayer Morales, Tiago Emanuel Kluber

Resumo


O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é um desafio das áreas da saúde e ensino atualmente, mostrando-se como um grave problema social. O objetivo deste trabalho foi investigar e discutir as visões epistemológicas para a pesquisa sobre o ensino de alunos diagnosticados com o referido transtorno, presentes na produção científica sobre o mesmo, utilizando a prática baseada em evidências, através de uma Revisão Integrativa. Foram pesquisados artigos na plataforma Periódicos Capes, Pub Med, Scielo e Lilacs onde estivesse claro o uso de uma base epistemológica para abordar o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. A pesquisa foi norteada pela pergunta: Há artigos que discutem aspectos epistemológicos em Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade? Quais as visões epistemológicas se fazem presentes? A busca foi realizada nas línguas portuguesa e inglesa e sem limite de tempo. Foram encontrados 74 artigos, dos quais cinco responderam à pergunta norteadora. Nestes, as bases epistemológicas encontradas foram: discurso psicológico, médico ou biopoder de Foucault (Bachelard), Paradigmas de Thomas Kuhn, Programas de pesquisa de Lakatos, Reificação de Lukács e Fenomenologia de Huserll. A pesquisa demonstrou que o cuidado do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade deve ser pautado por numa visão epistemológica crítica que supere o paradigma ingênuo da medicalização e abra a possibilidade do uso de novas terapias como o neurofeedback, baseados em uma normatização guiada pela heurística do rigor científico.


Palavras-chave


Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, Conhecimento, Ensino.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/arqmudi.v1i1.39995

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ISSN: 1980-959X