Região, discurso e representação: a Amazônia nos planos de desenvolvimento - doi: 10.4025/bolgeogr.v29i2.11001

João Santos Nahum

Resumo


A organização espacial amazônica, durante as últimas quatro décadas do século XX, não pode ser compreendida sem o exame atento dos Planos de Desenvolvimento da Amazônia, PDAs. Eles sintetizam ações políticas que buscam integrá-la ao modelo de crescimento econômico da época, ocupando-a e reafirmando a soberania nacional nesta fração do território brasileiro. Analisamos neste artigo a relação entre região e representação nesses planos. Trata-se de um debate que reitera as pesquisas da geografia política, mormente ao pensar as relações entre política e território nas diversas escalas. Privilegiamos a região e a escala regional por se fazerem presentes nos programas, planos e políticas de desenvolvimento que este país conhece, principalmente, nas últimas quatro décadas do século XX e a primeira do XXI. Examinamos os temas natureza, espaço e população por meio dos quais se fala da referida região nestes planos, destacando o que eles silenciam. Objetivamos revelar a existência de uma representação região-personagem que oculta os interesses que presidem, sustentam e estruturam tais planos. Nas três primeiras partes discorremos sobre as ideias de natureza enquanto recurso, de espaço vazio e de homem estatístico presentes nos referidos planos. A quarta parte constitui a síntese conclusiva, onde mostramos a formação discursiva da representação de região enquanto sujeito e conceito obstáculo.


Palavras-chave


Amazônia; Região; Representação; Planos de desenvolvimento

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/bolgeogr.v29i2.11001



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