USO DA RELAÇÃO DECLIVE-ÁREA PARA AVALIAÇÃO DE INTERFERÊNCIAS NEOTECTÔNICAS EM PERFIL LONGITUDINAL DE RIO

Adalto Gonçalves Lima

Resumo


A relação declive-área tem sido usada como meio de identificar perturbações tectônicas em larga escala em canais fluviais. Embora a eficiência da relação declive-área como ferramenta de interpretação geológica tenha sido demonstrada por vários trabalhos, vislumbra-se um grande potencial ainda inexplorado de sua aplicação. No presente artigo, analisa-se a relação declive-área nos detalhes da sua variabilidade e verificando sua aplicabilidade para interpretação neotectônica em área intraplaca, com movimentações recentes e pequenas. O alvo do estudo foi um canal de baixa ordem desenvolvido sobre os basaltos da Bacia do Paraná, e que possui morfologia com segmentos convexos, côncavos e rupturas de declive. Efetuou-se uma análise morfoestrutural independente, relacionada ao perfil longitudinal do canal e suas interações com as estruturas geológicas e as características litológicas. Posteriormente, conduziu-se análise da relação declive-área para verificar sua eficiência interpretativa, comparando com as informações da análise anterior. A base de dados foi obtida em carta topográfica de detalhe (escala 1: 10.000) e levantamento em campo. A análise convencional revelou que o canal se desenvolve sobre zonas diferenciadas dos derrames basálticos (vesicular e maciço) e cruza blocos basculados e falhas. A morfologia do perfil é controlada pelas características litológicas ou pelas estruturas tectônicas. Combinada com a análise convencional, a análise da relação declive-área melhora a discriminação dos setores morfológicos do perfil e permite reconhecer anomalias de declive relacionadas à tectônica e diferenciá-las das feições produzidas por controle litológico. Isoladamente, a análise declive-área apenas aponta anomalias e padrões de comportamento morfológico que sugerem controles a serem investigados por outros meios. 


Palavras-chave


Relação declive-área. Perfil fluvial. Neotectônica. Basaltos.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/bolgeogr.v32i2.18848



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