Introdução ao modelo de gestão de uma organização portuguesa do Antigo Regime, com particular referência à sua Contabilidade - o Colégio Real dos Nobres (1766)

Miguel Ângelo Caçoilo Gonçalves, Susana da Fonseca Ribeiro, Maria da Conceição Marques, Miguel Lira

Resumo


O artigo explora introdutoriamente uma antiga instituição de ensino portuguesa: o Colégio Real dos Nobres. Este estabelecimento de ensino, fundado em Lisboa em 1761 e inaugurado em 1766, constituiu uma entidade integrante da reforma da instrução pública empreendida pelo Marquês de Pombal no reinado de D. José. O trabalho amplia os limites tradicionais da definição de organizações sem fins lucrativos para a estender a entidades de ensino do Antigo Regime português. O principal objetivo é o de expor os traços principais da organização, gestão e administração escolar desse remoto estabelecimento de ensino, à luz do discurso moderno aplicado na compreensão dos fenómenos adstritos às áreas da educação e da gestão de entidades do sector não lucrativo. Procura-se também efetuar referências no que respeita à ligação Colégio dos Nobres e Contabilidade. Usou-se a metodologia qualitativa e o método de análise de textos e documentos, em particular fontes primárias. As conclusões mais relevantes prendem-se com o facto de o colégio utilizar um sistema de contabilidade por partidas dobradas simplificado e de a entidade, apesar de ter modelos de governação, tanto executiva como financeira, absolutamente inovadores para a época, falhou em aspetos de índole pedagógica, como sejam a inadequação de programas curriculares à idade dos colegiais e o controlo pouco eficaz do comportamento disruptivo do corpo discente.


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DOI: http://dx.doi.org/10.4025/enfoque.v36i2.32872



ISSN 1984-882X (on-line)