Ação privada e poder público na luta pela instrução: Portugal na segunda metade do século XIX

Wenceslau Gonçalves Neto, Justino Magalhães

Resumo


Para a consolidação de seu poder no século XIX os Estados nacionais desenvolveram novos mecanismos de difusão ideológica, entre os quais se destacam os sistemas nacionais de ensino. Ante as dificuldades financeiras, os Estados abriram lugar à iniciativa privada, o que era também um meio de fazer da instrução uma causa nacional. Em Portugal, o Estado padecia pela escassez de recursos e de vontade política e os particulares são conclamados a partilhar o esforço pelo oferecimento da instrução popular. Diversos tipos de participação ocorrem no período, destacando-se, no presente estudo, o envolvimento de um empresário de uma freguesia do interior de Portugal, esforçando-se para conseguir construir e doar uma escola à municipalidade. No entanto, apesar de toda a carência instrucional do país e do discurso valorizador da educação vigentes à época, a tarefa não será fácil, enfrentando diversas formas de oposição no nível político local, fazendo com que o processo suba às instâncias superiores, envolvendo o governador civil de Aveiro e a Direcção de Instrucção Publica do Ministério do Reino. Utilizando-se de documentação guardada na Torre do Tombo, em Lisboa, pretende-se demonstrar a complexidade no processo de difusão da educação e os conflitos de poder que acompanham mesmo temáticas que poderiam ser consideradas consensuais.

 


Palavras-chave


Instrução Pública; Ação Privada e Educação; Educação Portuguesa no Século XIX

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