CULTURA NÃO INDÃGENA NA ESCOLA DO POVO PURUBORÃ
DOI:
https://doi.org/10.4025/tpe.v20i3.34535Palavras-chave:
Povo Puruborá, Escola, Cultura não indígena, Identidade.Resumo
O presente texto tem como objetivo descrever e analisar como a cultura não indígena comparece no cotidiano da Escola Indígena de Ensino Fundamental Ywará Puruborá, discutindo também a forma como os professores analisam as contribuições e os limites desse trabalho na escola. Os dados foram obtidos a partir de pesquisa do tipo etnográfico, realizada na Aldeia Aperoi, uma propriedade rural localizada à s margens da BR 429, no município de Seringueiras, estado de Rondônia, na qual vivem sobreviventes do povo Puruborá. Na pesquisa utilizaram-se os seguintes instrumentos: análise documental, observação participante, diário de campo e entrevistas com quinze participantes, entre crianças e adultos. Os resultados indicam que o povo Puruborá valoriza a escola como produto de suas lutas históricas e atribui a ela o papel de revitalização da cultura indígena bem como de preparação das novas gerações para conhecer e lutar por seus direitos frente à sociedade não indígena. O trabalho pedagógico desenvolvido pela professora da escola é fortemente influenciado pelos cursos de formação continuada aos quais ela teve acesso e que não são voltados para as especificidades da educação escolar indígena. Entretanto, a professora busca atender à s necessidades de aprendizagem de suas alunas, adequando as situações de aprendizagem à s condições em que atua. Conclui-se que a escola indígena neste contexto é uma necessidade para o empoderamento das novas gerações frente à proibição de assumirem-se como indígenas e à negação de seus direitos, sofridas por esse povo ao longo de sua história.
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