O paradigma da descrição na tradução etnográfica: Levi-Strauss tradutor em Tristes Tropiques
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v36i4.23837Palavras-chave:
Tristes tropiques, tradução etnográfica, descrição etnográfica, olhar, visível/dizívelResumo
Tristes Tropiques, de Claude Levi-Strauss, publicado em 1955, é um relato sobre a viagem que o autor/etnógrafo fez na América, em particular no Brasil, nos anos 1930. Com uma poética livre que não obedece a austeridade dos trabalhos científicos, Levi-Strauss instaura uma reflexão que criará uma ruptura decisiva nos estudos etnográficos e nas ciências humanas em geral: a ruptura do olhar. Seu objeto não é propriamente a cultura dos índios no Brasil, mas o próprio Levi-Strauss como sujeito do olhar. Como apreender um objeto que muda à medida que o olhamos? O que faz o olhar ao objeto no momento em que olha, observa, analisa, descreve, enfim, traduz? Trata-se de entender o que o tradutor faz ao discurso do outro quando o traduz. No artigo analisamos diferentes estratégias de tradução do português para o francês que Levi-Strauss propõe em Tristes Tropiques. Pensando a tradução etnográfica a partir do paradigma da descrição e como encontro de culturas (não como substituição), analisamos o processo operado no espaço entre a experiência do olhar e a produção do discurso desse olhar, de maneira a compreender o valor produzido no final do eixo correspondente à tradução-descrição etnográfica.
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