A nominalização deverbal em cartilhas de agências reguladoras do Estado: de como a gramática produz efeitos de autoridade e não-negociação

Autores

  • Gustavo Ximenes Cunha Universidade Federal de Minas Gerais
  • Ana Larissa Adorno Marciotto Oliveira Universidade Federal de Minas Gerais
  • Rafael Vinícius de Carvalho Picinin Universidade Federal de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v40i1.34275

Palavras-chave:

nominalizações, estrutura argumental nominal, domínio discurso oficial.

Resumo

O objetivo central deste estudo é analisar o emprego de nominalizações deverbais em cartilhas produzidas por agências reguladoras do Estado. Partimos da hipótese de que, no texto escrito, especialmente no âmbito oficial, o uso das nominalizações deverbais sofre o impacto das condições de produção do discurso e, por isso, merece análise específica. Foram analisadas 10 cartilhas produzidas por agências reguladoras brasileiras, nas quais foi identificado um número significativo de instâncias nominalizadas. Do ponto de vista de sua estrutura argumental nominal, o estudo identificou as ocorrências de apagamento de elementos dessa estrutura, bem como analisou como esses elementos são recuperados, o que, em geral, é feito via fluxo discursivo. Com relação à análise das nominalizações como instâncias de metáforas gramaticais, estas são entendidas aqui como fenômenos produzidos no sistema de transitividade hallidayiano. Esse uso propiciou uma maior densidade lexical dos textos analisados. Esse aspecto contribuiu para elevar o caráter objetivo e supostamente neutro dos acontecimentos, ou fatos, aos quais as cartilhas se referem. Os resultados indicaram também que as nominalizações deverbais configuram-se como recursos importantes para que as cartilhas cumpram a finalidade de impor ao leitor a aceitação de pressupostos não-negociáveis, veiculados por estas em sua função oficial.

 

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Biografia do Autor

  • Gustavo Ximenes Cunha, Universidade Federal de Minas Gerais
    Doutor em Linguística. Professor Adjunto da Faculdade de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFMG.
  • Ana Larissa Adorno Marciotto Oliveira, Universidade Federal de Minas Gerais
    Doutora em Linguística. Professora Adjunta da Faculdade de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFMG.
  • Rafael Vinícius de Carvalho Picinin, Universidade Federal de Minas Gerais
    Bacherel em Direito pela UFMG e especialista em Direito Internacional. Graduando em Letras pela UFMG. Bolsista da Pró-Reitoria de Graduação da UFMG (programa PRONOTURNO).

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Publicado

2018-03-01

Edição

Seção

Linguística

Como Citar

A nominalização deverbal em cartilhas de agências reguladoras do Estado: de como a gramática produz efeitos de autoridade e não-negociação. (2018). Acta Scientiarum. Language and Culture, 40(1), e34275. https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v40i1.34275

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