Virilidade e identidade narrativa em Mãos de cavalo, de Daniel Galera
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v42i2.50843Palavras-chave:
literatura contemporânea; romance brasileiro; virilidade; Daniel Galera; Mãos de cavalo.Resumo
Esse artigo aborda o protagonista do romance Mãos de Cavalo (2006), de Daniel Galera, tomando como ponto de partida a perspectiva da identidade narrativa, elaborada por Paul Ricoeur (1991, 2010). Tal operação se faz necessária em virtude dos distintos planos temporais da narrativa, os quais apresentam a personagem com características diferentes na juventude e na fase adulta. Os traços em que se percebe maior descontinuidade entre os planos temporais dizem respeito à s formas distintas com que o protagonista fantasia e experiencia sua masculinidade, o que requer a retomada de estudos sobre essa temática, tais como o de Baubérot (2013), Connell (2016) e Venayre (2013). Assim, foi possível identificar tanto a importância dos padrões de virilidade para ele como as implicações do fracasso em incorporar essas normas no seu cotidiano. Nesse sentido, as análises apontaram para: i) a centralidade de dois episódios no romance, nos quais a percepção ou a tentativa de superação da covardia provocam mudanças significativas no protagonista; ii) a teatralidade das expressões viris como respostas a padrões normativos de masculinidade; iii) a correlação entre o uso de anacronias e a presença constante da temática da identidade em Mãos de cavalo. Aponta-se, por fim, para a conveniência de estudos dessa natureza em outros romances de Daniel Galera.
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