Um Um grito lancinante foi ouvido: as desrazões contagiosas em ‘O mez da grippe’, de Valêncio Xavier
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v43i2.58492Palavras-chave:
literatura brasileira; gripe espanhola; epidemia; microparasitismo; macroparasitismo; Curitiba.Resumo
O presente artigo se propõe a fazer uma análise acerca das relações entre microparasitismo e macroparasitismo na novela ‘O mez da grippe’, de Valêncio Xavier, publicada originalmente em 1981, e que tem como cenário a cidade de Curitiba em 1918, assolada pela gripe espanhola. A polifonia caleidoscópica do livro de Xavier, construído a partir da colagem entre diversos gêneros textuais/imagéticos (como artigos de jornais, documentos oficiais, fotografias de época, propaganda, obituários), intercalados por fragmentos ficcionais, possibilita o desenvolvimento de diversas camadas de leitura, entre as quais a perspectiva da doença, e sobretudo da epidemia, como metáfora ̶ da guerra, da loucura, da anormalidade, do crime, em suma, das ‘desrazões contagiosas’ ̶ sobressai como uma das mais instigantes. Assim, a escrita literária possibilita refletir acerca da condição singular de se viver em tempos de pandemia, o que se realiza, aqui, tomando como base a análise de algumas das figuras e personagens da obra, como o caminhante solitário, o Kaiser Guilherme II, a sobrevivente D. Lucia, o sr. Telêmaco Jardim, o louco Manoel de Campos, a vítima Clara Heisler, o Mão Peluda e a própria Hespanhola. Para o desenvolvimento das análises propostas, os principais aportes teórico-críticos e historiográficos são os textos de McNeill (1998), Sontag (2007), Foucault (2010), Benjamin (1989), Delumeau (1989) e Eco (1994).
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