Elena Ferrante e Salman Rushdie enquanto autores globais: uma nova categoria literária ou mera etiqueta de mercado?
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v45i1.63708Palavras-chave:
literatura global contemporânea; literatura e globalização; cânone literário; mercado editorial.Resumo
Este artigo tem como objetivo discutir e desenvolver os conceitos de ‘autor global’ e ‘autoria global’ a partir de obras dos escritores Salman Rushdie e Elena Ferrante. Pretendemos definir as bases e princípios do que faz de um escritor um autor global, qual é a importância da participação desses autores no cenário contemporâneo de debate da obra e fazer uma reflexão sobre o cânone num contexto literário globalizado. De maneira mais específica, procuramos apontar o que faz de Salman Rushdie e Elena Ferrante autores dessa categoria. A hipótese desenvolvida é a de que os autores globais devem ser autores vivos, cuja obra e persona circulam no universo literário transnacional, participando ativamente das discussões em torno de sua obra e provando, constantemente, por meio de intervenções públicas e discussões nos meios de comunicação de massa, sua relevância global. Dessa forma, desafiamos a ideia de que um cânone literário mundial, baseado exclusivamente na qualidade literária de seus autores, ainda pode ser sustentada no cenário global. Nesse contexto, os autores Salman Rushdie, a partir do lançamento de seu livro Os versos satânicos (1988), e Elena Ferrante, a partir de sua tetralogia napolitana, para além de suas qualidades literárias, podem ser pensados como autores e agentes de questões políticas e ideológicas no mundo contemporâneo globalizado, características essas necessárias para fazer parte da condição de autores globais.
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