Livro didático, cultura histórica e formação da consciência histórica: entre silêncios, disputas e possibilidades de ressignificação na prática com aula-oficina

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4025/dialogos.v29i3.78066

Palavras-chave:

aula-oficina, livro didático, fontes históricas, ditaduta militar, Burdening History

Resumo

Este artigo analisa criticamente o livro didático de História como um artefato cultural da cultura histórica e escolar. Ele não é neutro, mas carrega intenções pedagógicas e ideológicas, legitimando narrativas sobre o passado. Discute-se como os manuais escolares, por meio do conceito de burdening history de Bodo von Borries, apagam ou ressignificam passados traumáticos, como a Ditadura Civil-Militar brasileira. O texto relata uma aula-oficina com professores e estudantes da FURG, focada na análise crítica de livros didáticos. Reafirma-se a importância do uso crítico do livro didático como uma entre várias fontes, promovendo um currículo plural. Baseado na Educação Histórica e na consciência histórica de Jörn Rüsen, o artigo defende que o ensino de História deve capacitar os estudantes a uma leitura ética, crítica e plural do passado, desenvolvendo suas competências interpretativas.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Gilvania Lopes Villar, Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Rio Grande-RS, BR

    Mestrando do Programa de Pós-Graduação em História na Universidade Federal do Rio Grande - FURG. Membro integrante do LAPEDHI- Laboratório de Pesquisa e Ensino em Didática História.

  • Darcylene Pereira Domingues, Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Pelotas-RS, BR

    Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História na Universidade Federal de Pelotas. Graduada no curso de História Bacharelado, com ênfase em Gestão de Patrimônio Histórico e Cultural na Universidade Federal do Rio Grande - FURG e também graduada em História Licenciatura pela mesma Universidade. Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em História Universidade Federal do Rio Grande - FURG.Além disso, atua como Estagiária voluntária no Laboratório de Pesquisa e Ensino em Didática da História (LAPEDHI) locado na FURG e coordenado pela professora Júlia Silveira Matos. Pesquisadora no grupo de pesquisa Cultura e Política no Mundo Antigo da Universidade Federal do Rio Grande-FURG coordenado pelo professor Jussemar Weiss Gonçalves. E atua na área de História, com ênfase em História Antiga principalmente nos seguintes temas: Grécia Antiga, Tragédia Grega, Ensino de História, Educação Histórica e Relações de Gênero.

  • Júlia Silveira Matos, Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Rio Grande-RS, BR

    Doutora em História; professora Titular da Universidade Federal do Rio Grande - FURG; docente dos Programas de Pós-graduação em História - PPGH e Educação Ambiental - PPGEA; coordenadora do LAPEDHI- Laboratório de Pesquisa e Ensino em Didática História

Referências

BARCA, Isabel. Aula oficina: do projeto à avaliação. In: BARCA, Isabel (org.). Para uma educação de qualidade: atas da Quarta Jornada de Educação Histórica. Braga: CIED; IEP; Universidade do Minho, 2004. p. 131-144.
BARCA, Isabel. Pensamento histórico e consciência histórica: teoria e prática. Curitiba. W.A Editores, 2018.
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Livro didático e conhecimento histórico: uma história do saber escolar. 1993. Tese (Doutorado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1993.
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. O livro didático no Brasil: um longo percurso de produção e circulação. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 47, p. 71-87, maio/ago. 2010.
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de História: fundamentos e métodos. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
DAVIES, Nicholas. As camadas populares nos livros de História do Brasil. In: PINSKY, Jaime (org.). O ensino de História e a criação do fato. 14. ed. São Paulo: Contexto, 2011. p. 124.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.
GASPARELLO, Arlette Medeiros. Construtores de identidade: a pedagogia da nação nos livros didáticos da escola secundária brasileira. São Paulo: Iglu, 2004.
MATOS, Júlia Silveira. Ensino de História, diversidade e livros didáticos: história, política e mercado editorial. 2. ed. Curitiba: CRV, 2020.
RAMOS, Márcia Elisa Teté. Educação Histórica: articulação orgânica entre investigação e ação. In: JORNADAS INTERESCUELAS/DEPARTAMENTOS DE HISTORIA, 14., 2013, Mendoza. Anais eletrônicos [...]. Mendoza: Universidad Nacional de Cuyo, 2013.
RAMOS, Márcia Elisa Teté. Apresentação: a verdade está nos olhos de quem vê? Ideias históricas problemáticas no senso comum e no novo revisionismo. In: RAMOS, Márcia Elisa Teté (org.). Ensino de história: usos de fontes em sala de aula. Maringá: Edições Diálogos, 2019. p. 11-19.
RÜSEN, Jörn. O livro didático ideal. In: SCHMIDT, Maria Auxiliadora; BARCA, Isabel; MARTINS, Estevão de Rezende (org.). Jörn Rüsen e o ensino de história. Curitiba: Ed. UFPR, 2010. p. 109-127.
RÜSEN, Jörn. Reconstrução do passado: os princípios da ciência histórica. Brasília, DF: Editora UnB, 2011.
SCHMIDT, Maria Auxiliadora. A formação do professor de História e o cotidiano de sala de aula. In: BITTENCOURT, Circe (org.). O saber histórico em sala de aula. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2004. p. 54-66.
SCHMIDT, Maria Auxiliadora. Cultura histórica e aprendizagem histórica. Revista NUPEM, Campo Mourão, v. 6, n. 10, p. 31-50, jan./jun. 2017.
SCHMIDT, Maria Auxiliadora; CAINELLI, Marlene; MIRALLES, Pedro. As pessoas tentam, mas a história difícil não é facilmente descartada: o lugar dos temas controversos no ensino de história. Antíteses, Londrina, v. 11, n. 22, p. 484-492, jul./dez. 2018. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/1933/193358862001/html/. Acesso em: 12 ago. 2022.
VIANA, Nildo. Memória e sociedade: uma breve discussão teórica sobre memória social. Espaço Plural, Marechal Cândido Rondon, v. 7, n. 14, p. 8-10, jan./jun. 2006.
VON BORRIES, Bodo. Jovens e consciência histórica. Curitiba: W. A. Editores, 2018.

Downloads

Publicado

2026-04-14

Como Citar

Livro didático, cultura histórica e formação da consciência histórica: entre silêncios, disputas e possibilidades de ressignificação na prática com aula-oficina. (2026). Dialogos, 29(3), 183-202. https://doi.org/10.4025/dialogos.v29i3.78066