MESTRE E DISCENTES NA CONSTRUÇÃO DE BIONARRATIVAS SOCIAIS: "NAIÃ E O ESPELHO: UMA HISTÓRIA DE AUTOCONHECIMENTO”

Autores

Resumo

Este artigo apresenta a experiência formativa vivenciada na disciplina Interculturalidade e Educação Popular: Saberes Afro-Ameríndios Decoloniais, ofertada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, cujo resultado final consistiu na construção de uma Bionarrativa Social (biona). O estudo teve como foco a narrativa intitulada “Naiá e o espelho: uma história de autoconhecimento”, desenvolvida a partir de encontros com mestres culturais, especialmente com o Cacique Japoteru Pataxó, que contribuíram com saberes tradicionais, artísticos e espirituais. A metodologia fundamentou-se em práticas dialógicas, rodas de conversa, dinâmicas corporais e produções textuais, inspiradas em pedagogias freirianas e interculturais, que valorizaram a memória biocultural e a ancestralidade. Os resultados indicam que a escrita da bionarrativa possibilitou às discentes revisitar identidades pessoais e coletivas, ressignificando memórias familiares e culturais por meio da escuta sensível e do diálogo intercultural. A personagem ficcional Naiá, construída em diálogo com o mestre Japoteru Pataxó, simboliza a trajetória de reconhecimento identitário, ressaltando a potência da oralidade, da ancestralidade e da pedagogia das encruzilhadas. Conclui-se que a experiência promoveu a decolonização dos olhares acadêmicos, fortalecendo a articulação entre saberes populares e universitários e evidenciando a relevância da biona como prática pedagógica capaz de integrar narrativas pessoais, coletivas e ancestrais no processo formativo de educadores.

Biografia do Autor

  • Patrícia de Oliveira Branquinho Silva, Universidade Federal do Triângulo Mineiro

    Doutoranda e Mestra em Educação (UFTM). Especialista em Ensino de Sociologia (UNB) Especialista em Tecnologias Educacionais para a Prática Docente (ENSP/FIOCRUZ). Possui graduação em Licenciatura em Ciências Sociais pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM). Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Ensino de Sociologia, Educação de EJA, Ensino Médio, Técnico e Superior.

  • Aline Mantovani Petri, Universidade Federal do Triângulo Mineiro

    Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), linha de pesquisa: Fundamentos e Práticas Educativas - Espaços Educacionais e Processos Formativos. Participa do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Não Formal e Ensino de Ciências (GENFEC), da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Graduada em Licenciatura em História pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Integrou a equipe do Museu do Zebu - Edilson Lamartine Mendes, enquanto estagiária (2019-2020). Atuou como professora de História no Ensino Fundamental Anos Finais na rede privada de ensino em Sertãozinho/SP. Atualmente, desenvolve pesquisa no âmbito da Educação Museal.

  • Beatriz Gaydeczka, Universidade Federal do Triângulo Mineiro

    Pedagoga pela Universidade do Contestado (UnC, 2003), licenciada em Letras pela Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR, 2003), mestra em Linguística Aplicada pela Universidade de Taubaté (UNITAU, 2006) e doutora em Letras na Universidade de São Paulo (USP, 2012). Professora Associada na Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM. Atua nos cursos de Graduação em Engenharias (ICTE) e em Pedagogia (IELACHS) e na Pós-Graduação no Programa de Mestrado Profissional em Inovações e Tecnologias (PMPIT) e no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE). Vice-líder e pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Educação, Linguagens e Língua Portuguesa (GPELLP), tendo interesse nos seguintes temas: Alfabetização e Letramento. Alfabetização e Letramento e sua correlação com questões da cultura digital e tecnologias na educação. Processos formativos e práticas educativas para o ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa nos Anos Iniciais da Educação Básica. Políticas Públicas de Alfabetização e Letramento.

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Publicado

2025-12-15

Edição

Seção

Dossiê Interculturalidade e Educação Popular: possibilidades didáticas