A categoria de aspecto em algumas línguas indígenas do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.4025/actascilangcult.v39i2.31200Palavras-chave:
aspecto, línguas indígenas, GDF, hierarquias implicacionais.Resumo
O objetivo do artigo é analisar, com base no modelo da Gramática Discursivo-Funcional, GDF (Hengeveld e Mackenzie, 2008), as noções de aspecto nas línguas indígenas das famílias Aruak (Kinikinau), Jê (Parkatejê, Xerente e Xavante), Guató (Guató), Tupi-Guarani (Asurini), Boróro (Boróro), Karib (Ikpeng), Pano (Katukina, Matis e Shanenawa) e Ofayé (Ofayé), considerando-se o princípio de ordenação das categorias de tempo, aspecto e modo (TAM) com relação ao predicado da oração, bem como as relações semânticas de escopo entre tais categorias gramaticais quanto aos níveis e à s camadas da GDF. Como resultados, verificamos que o aspecto qualitativo (perfectivo, imperfectivo etc.) tende a se posicionar mais próximo ao verbo, justamente por alterar a constituição temporal interna do estado de coisas, ao passo que o aspecto quantitativo (habitual, por exemplo) e o tempo tendem a se posicionar um pouco mais distantes do predicado, pelo fato de funcionarem como modificadores do estado de coisas como um todo. Já as noções de modo tendem a se colocar mais distantes do verbo, por não afetarem diretamente o seu estatuto. Comprovamos ainda que a distribuição das categorias TAM tende a respeitar a ordenação e as relações de escopo entre elas, como diz Hengeveld (2011): (modo(tempo(aspecto(predicado+argumentos)))).
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